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DESAFIOS DA PARTICIPAÇÃO FEMININA NAS FORÇAS ARMADAS É TEMA DE SEMINÁRIO INTERNACIONAL DA ESG E WJPC

Na mesma data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, 08 de março, foi realizado na Escola Superior de Guerra, com transmissão virtual, o IV Seminário Internacional da Escola Superior de Guerra (ESG) e do Centro de Estudos Hemisférico de Defesa Willian J Perry (WJPC), com o tema Mulheres Militares: para a paz e para a guerra, abordando os desafios presentes nas organizações militares e a participação feminina em operações de paz e em situações de combate.

Resultado do convênio acadêmico firmado entre as instituições, o evento foi presidido pelo Subcomandante da ESG, Maj Brig do Ar Codinhoto e contou com a presença do diretor do WJPC, Tenente General Frederick S. Rudesheim e Andrew Hamrick, do Departamento de Estado dos Estados Unidos. As autoridades em seus discursos de abertura destacaram o papel das mulheres na resolução de conflitos e a importância de ações inclusivas para uma sociedade mais democrática.

O seminário foi dividido em dois painéis, sendo o primeiro com duas apresentações, uma da Diretora de Comunicações e Tecnologia da Informação da Marinha, Contra-Almirante (EN) Luciana Mascarenhas da Costa Marroni, e pela Oficial da Secretaria de Defesa dos Estados Unidos, Ashley Pixton, que trouxeram aspectos e dados do ambiente militar feminino, as adequações ocorridas na legislação e as implicações estruturais e mudanças na cultura das Forças Armadas de cada país.

A Almirante Luciana mostrou incialmente o histórico da presença feminina em conflitos e guerras, citando algumas personagens de destaque na história do Brasil, e as legislações que regulamentaram os marcos de inclusão do corpo feminino nas Forças, que teve início em 1980, até o mais recente, em 2012, com a primeira mulher indicada ao generalato. Por fim, apresentou os dados de 2020 sobre a composição feminina do efetivo de cada Força, sendo aproximadamente 8000 mulheres na Marinha (11% do efetivo total);  10.700 (6%) no Exército e 11800 (18%) na Força Aérea Brasileira; e concluiu que a presença feminina traz benefícios para a administração bem como no campo operacional.

No contexto dos Estados Unidos, Ashley Pixton, que assessora a alta gestão nas relações com a América Latina, destacou a importância da inclusão da mulher na segurança e defesa em todos os níveis operacionais e, principalmente, nos de comando e de decisão. A oficial também comentou sobre as políticas mais flexíveis que foram implementadas de forma a estimular o efetivo a continuar no serviço militar, tais como flexibilidade na licença maternidade e paternidade, evitando assim perda do investimento feito ao longo dos anos no recurso humano. Por fim, comentou sobre a lei recentemente aprovada que obriga o governo a criar estratégias e condições para o equilíbrio e integração das mulheres.

O segundo painel foi composto pela Tenente Coronel Duilia Turner, meteorologista do Exército dos EUA, que participa da comissão “Mulher , Paz e Segurança”, do Comando Sul dos EUA; da Tenente Coronel Navarro, oriunda da Academia Militar de West Point (EUA) e atuando no Estado-Maior Conjunto em Washington-DC; e da Capitão de Fragata Marcia Braga, da Marinha do Brasil, atuando no Departamento de Operações de Paz da ONU.

A Coronel Turner compartilhou sua trajetória e experiência na Força, apresentando a atuação e os desafios em zonas de conflito, bem como no trabalho de assessoria ao Presidente Barack Obama, em que atuou na Casa Branca e foi reconhecida pelo seu trabalho e empenho. Mãe de gêmeos e esposa, também compartilhou os aspectos desafiadores na conciliação entre carreira e vida pessoal.

Por sua vez, a Tenente Coronel Navarro trouxe aos ouvintes suas experiências desde a academia, onde destacou-se por sua liderança em um exercício operacional de navegação terrestre, em que o grupamento teve que superar adversidades como a restrição alimentar e de repouso, até hoje, tendo participado de missões no Iraque e em Honduras.

Encerrando o evento, a Capitão de Fragata Marcia Braga relatou sobre sua experiência na Missão da ONU na República Centro-Africana (Minusca) iniciada em 2018, que rendeu a militar o Prêmio de Defensora Militar do Gênero das Nações Unidas. Tal conquista foi possível graças a sua percepção ao se deparar com o local de conflito e notar que não havia uma perspectiva de gênero, o que a motivou a planejar e organizar um projeto sobre as implicações do conflito em homens, mulheres e crianças, permitindo um planejamento militar mais específico para a região. A Comandante Marcia disse ainda ter notado uma aceitação maior da presença militar com efetivo feminino do que o exclusivamente masculino, deixando a população civil mais confortável, concluindo que esta abordagem é mais produtiva quando feita em conjunto, com a presença de mulheres.

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