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ESG celebra a Data Magna da Marinha

A Escola Superior de Guerra (ESG) realizou no dia 10 de junho, no Campus Rio de Janeiro, as comemorações alusivas ao 155º Aniversário da Batalha Naval do Riachuelo – Data Magna da Marinha do Brasil.

                A solenidade foi presidida pelo Comandante da ESG, Almirante de Esquadra Wladmilson Borges de Aguiar, e restrita devido às orientações das autoridades de saúde. Para marcar a data, foi realizada a leitura da Ordem do Dia do Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Ilques Barbosa Júnior, e da Mensagem do Presidente da República Jair Messias Bolsonaro alusivas ao 155º Aniversário da Batalha Naval do Riachuelo.

A Batalha Naval do Riachuelo foi decisiva na Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai (1865-1870), o maior conflito militar na América do Sul, e impôs uma séria derrota ao inimigo. A Marinha do Brasil comemora, todos os anos, no dia 11 de junho, os feitos heróicos daqueles homens que lutaram na Batalha, reconhecendo-os como exemplos e lembrando seus atos às gerações que os sucederam.

Na data, também houve a condecoração de militares com a Ordem do Mérito Naval e com a Medalha Militar, além de promoção de militares.

Além disso, na ocasião, estagiários do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia realizaram, por videoconferência,  uma palestra alusiva à Data Magna.

 

 

 

Ordem do Dia do Comandante da Marinha alusiva ao 155º Aniversário da Batalha Naval do Riachuelo – Data Magna da Marinha

Desde o alvorecer de sua independência, o Brasil defendeu seus contornos geográficos e consolidou o sentimento de nacionalidade, combatendo em terra, no mar ou nos rios, pela sua soberania. Pelas águas, foram escritos importantes capítulos dessa história, como a Batalha Naval do Riachuelo, episódio que concorreu, decisivamente, para nossa vitória na Guerra da Tríplice Aliança.

A conjuntura política que antecedia o confronto foi marcada, ao longo do século XIX, por continuadas disputas pela Região do Prata, culminando, em 1864, na invasão das Províncias do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul. Em resposta, Argentina, Brasil e Uruguai assinaram, em 1865, o Tratado da Tríplice Aliança.

No comando da Força Naval, estava o Almirante Joaquim Marques Lisboa, o Visconde de Tamandaré, incumbido de apoiar as tropas aliadas e efetuar o bloqueio dos Rios Paraguai e Paraná, a fim de impedir o recebimento de armamentos e suprimentos. Nessa época, a Esquadra Imperial, vitoriosa nas campanhas de consolidação da Independência, possuía navios próprios para o alto-mar, de grande calado, o que impunha maiores habilidades para a navegação fluvial.

Ainda assim, mesmo diante das dificuldades na navegação, a Segunda e a Terceira Divisões Navais da Esquadra, capitaneadas pelo Almirante Francisco Manoel Barroso da Silva, operavam no Rio Paraná. Os navios estavam fundeados nas proximidades da foz do Riachuelo, em 11 de junho de 1865. No amanhecer desse dia, os vigias avistaram, por montante, oito embarcações inimigas em formação de ataque, com seis chatas a reboque, apoiadas por canhões e soldados posicionados, de forma camuflada, nas barrancas próximas.

As águas daquela localidade viriam a ser marcadas pela bravura de nossos compatriotas, que ofereceram suas vidas em sacrifício à Pátria. No início do combate, evocando todos para a árdua batalha que os esperava, o Almirante Barroso fez içar, no mastro da Fragata Amazonas”, o sinal:

“O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”!

Nos primeiros momentos do embate, sofremos fortes reveses. Nos conveses da Corveta “Parnaíba”, tombaram dois de nossos maiores heróis: o Guarda-Marinha Greenhalgh, que lutou na defesa do Pavilhão Nacional; e o Imperial Marinheiro Marcílio Dias, que, após aguerrido combate, veio a falecer.

Em uma manobra audaciosa, o Almirante Barroso alterou o rumo da batalha. Tendo a seu favor o porte da “Amazonas”, usou a proa, abalroando os navios oponentes, que não resistiram às avarias e soçobraram.

“Sustentar o fogo, que a vitória é nossa”!

Com este sinal içado no mastro, a nossa Força Naval fortaleceu, ainda mais, os ânimos, criando um ponto de inflexão no combate. Diante daquele novo quadro, totalmente favorável aos aliados, restou às forças inimigas bater em retirada.

A vitória na Batalha Naval do Riachuelo garantiu a interrupção das vias fluviais, comprometeu o fluxo logístico do oponente, sendo uma conquista cabal para o fim do conflito.

Presente na imensidão azul de nossos mares e nas águas interiores, a Invicta Marinha de Tamandaré continua contribuindo para defender os interesses do País. Na atualidade, assentados em outra realidade histórica, defrontamos importantes desafios, para os quais é necessário estarmos capacitados. As significativas limitações materiais que se evidenciaram no início da Guerra da Tríplice Aliança e, mais especificamente em Riachuelo, voltariam a ocorrer nas guerras mu11ndiais das quais participamos, limitando nossa capacidade de resposta e exigindo extraordinária capacidade de superação e improviso, algo que o exponencial avanço tecnológico dos novos tempos torna cada vez mais difícil.

Assim, a Marinha do Brasil avança com seus Programas Estratégicos para adequar a Força Naval às ameaças existentes e à posição político-estratégica ocupada pelo Brasil, contribuindo para desenvolvimento tecnológico e a geração de empregos no nosso País.

Dentre os programas, a Capacitação Profissional ocupa lugar de destaque, pois tão adequada quanto a renovação dos meios é a capacidade do pleno emprego e manutenção daqueles disponíveis; e, sobretudo, a nossa independência tecnológica. A Marinha também segue com o Programa de Construção do Núcleo do Poder Naval, com destaque ao Desenvolvimento de Submarinos e das Fragatas Tamandaré; o Programa de Obtenção da Capacidade Operacional plena, incluindo, dentre outros, o PROADSUMUS; o Programa de Ampliação da Capacidade de Apoio Logístico; o Desenvolvimento da Mentalidade Marítima, destacando a integração de setores e atividades que fomentam a Economia Azul e o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul, SisGAAz, que beneficiará toda comunidade marítima. Cabe ressaltar que, ombreada com a capacitação da Força Naval, estão o desenvolvimento tecnológico e a geração de empregos no nosso País.

Com orgulho de seu passado e com ações que a preparam para o futuro, a Marinha do Brasil permanece atenta ao presente, contribuindo no combate contra o Coronavírus, uma nova luta, que acarreta graves efeitos nas esferas sanitárias, sociais e econômicas. Desde o início, com serenidade e firmeza, a Marinha atua, em coordenação com o Ministério da Defesa e demais Forças Armadas, em consonância com autoridades federais, estaduais e municipais, com amplitude de ações que contemplam o desenvolvimento nacional, apoio à saúde, desinfecção de áreas públicas, doação de alimentos, de sangue, transporte logístico, confecção de refeições, dentre outros, que contribuem com o esforço nacional, em especial com o Sistema de Saúde e seus valorosos e incansáveis profissionais.

Cabe ainda destacar e agradecer o trabalho da Comunidade Marítima, que possibilitou a manutenção dos serviços nos portos em plena pandemia, inclusive com recordes no embarque de cargas, mantendo o fluxo das nossas importações e exportações e, em especial, com reflexos positivos para o agronegócio brasileiro, que mantém projeções de crescimento para 2020.

Tormentas sempre passam. Seguiremos navegando com proa firme. Vamos sustentar o fogo, pois a vitória será nossa, de todos os brasileiros.

Com grata satisfação, apresento, também, aos agraciados com a Ordem do Mérito Naval, meus cumprimentos pelo trabalho dedicado em prol da Marinha do Brasil.

Marinheiros, Fuzileiros Navais e Servidores Civis, a herança daquele 11 de junho sempre fortalece a valorização da Rosa das Virtudes e a constante busca do bem comum. Reafirmamos, portanto, o compromisso com a defesa da soberania e dos princípios constitucionais, destacando a importância de estarmos prontos e presentes onde e quando a Nação nos chamar. Essa é a herança que tanto custou aos nossos antecessores e que nos permitirá superar quaisquer intempéries e manter o rumo seguro em nossa permanente contribuição ao País!

A todo Pano!

Viva a Marinha!

Ontem, hoje e sempre, Tudo pela Pátria!

 

 

Mensagem do Senhor Presidente da República por ocasião da comemoração do 155º Aniversário da Batalha Naval do Riachuelo, Data Magna da Marinha

A Marinha do Brasil celebra, no dia 11 de junho, a sua Data Magna, que nos remete à Batalha Naval do Riachuelo, a qual completa, hoje, 155 anos. Este evento foi decisivo no maior conflito regional na história da América do Sul, a Guerra da Tríplice Aliança. O desenrolar da Batalha registrou feitos memoráveis, que se perpetuam na história da Força Naval e da nossa Nação.

Quando nossa soberania foi colocada à prova, verdadeiros heróis defenderam a Pátria. A liderança do Almirante Barroso, o patriotismo do Guarda-Marinha Greenhalgh e a bravura do Marinheiro Marcílio Dias, entre muitos outros, deixaram um legado que norteia o cumprimento, no presente, das muitas responsabilidades dessa respeitável Instituição.

A Invicta Marinha de Tamandaré nos honra com a sua história. Sentinela dos 5,7 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia Azul, fonte de riqueza, responsável por nos prover energia, alimento e permitir o fluxo da quase totalidade do comércio exterior; e o controle dos 22.000 km de vias navegáveis que cortam nosso vasto território. Assim, a Marinha segue atenta na proteção de nossas imensas riquezas e cuidando da nossa gente. A defesa da Pátria, a segurança do tráfego aquaviário, a patrulha das nossas águas, a salvaguarda da vida das pessoas e a preservação do meio ambiente encontram sustentação na atitude profissional e desprendida dos homens e mulheres, que servem na Força Naval.

Se o passado nos envolve com a inspiração de atos heroicos, a atualidade apresenta um cenário com diversas ameaças e complexos desafios. Nesse contexto, a Marinha mantém sua prontidão e navega, balizada por seus Programas Estratégicos, rumo ao aperfeiçoamento necessário para continuar a atender os interesses do País.

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos que, em dezembro deste ano, entregará ao Setor Operativo o Submarino “Riachuelo”, lançará ao mar o Submarino “Humaitá”, bem como realizará a integração das seções do Submarino “Tonelero”, merece destaque. Por sua vez, o Programa Nuclear vem apresentando resultados positivos na construção do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica, passo importante no processo de construção do submarino com propulsão nuclear brasileiro. O Programa Classe Tamandaré, no início deste ano, celebrou a assinatura do contrato com o Consórcio Águas Azuis, responsável pela construção de, pelo menos, quatro novas fragatas com elevada densidade tecnológica para compor nosso Poder Naval. Por fim, o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul, SisGAAz, necessário ao contínuo monitoramento e proteção das nossas águas, demonstrou que seu pleno desenvolvimento impedirá a ocorrência de atos criminosos, como o derramamento de óleo no nosso litoral, ocorrido em 2019. Dos Programas Estratégicos decorre o fortalecimento da nossa economia devido o envolvimento da Base Industrial de Defesa, com desdobramentos positivos para o desenvolvimento nacional.

No momento em que atuamos para apoiar a economia nacional, também enfrentamos o Coronavírus. A Marinha juntamente às outras Forças Armadas, fortalece sua presença em todo País, contribuindo com ações para mitigar os efeitos da Pandemia na desinfecção de hospitais, ambulatórios e de lugares de grande circulação, na produção de equipamentos hospitalares e de proteção individual ou em parceria com outras instituições, como com a Universidade de São Paulo, que, em breve, poderá propiciar o início de uma linha de produção de respiradores com tecnologia nacional e baixo custo. Destaco, também, nesse contexto, a importância da Assistência Médico-Hospitalar prestada pelos “Navios da Esperança”, que levam apoio de saúde a populações carentes nos mais diversos rincões das regiões norte e centro-oeste.

A Marinha do Brasil contribui, ainda, para a projeção do pavilhão auriverde no cenário internacional, granjeando admiração e respeito. Faço aqui menção ao Comando da Força-Tarefa Marítima no Líbano, missão sob a égide das Nações Unidas, e à inauguração da nova Estação Antártica Comandante Ferraz, em janeiro deste ano, contribuição relevante para as pesquisas científicas e símbolo de nossa presença naquele importante continente, motivo de orgulho para todos nós brasileiros.

Ao comemorarmos a Data Magna da Marinha e como Grão-Mestre da comenda hoje outorgada, aproveito a oportunidade para estender aos agraciados com a Ordem do Mérito Naval os agradecimentos pelos relevantes serviços prestados à nossa Força Naval e ao Brasil.

Por fim, honrando o chamado do Almirante Barroso “Sustentar o Fogo que a vitória é nossa”, encorajo a todos os marinheiros, fuzileiros navais e servidores civis da nossa Marinha a, juntos, continuarmos, como no passado, o bom combate, a fim de atravessarmos os revoltos mares que estão à nossa frente, na certeza de que, no fim desta navegação, teremos conduzido nosso País a um porto seguro e digno de sua grandeza.

Viva a Marinha!

Tudo pela Pátria!

JAIR MESSIAS BOLSONARO

Presidente da República Federativa do Brasil

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