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Geopolítica das pandemias e ações desenvolvidas pelo MD no enfrentamento atual é tema do painel no III CEED

Seguindo a programação de atividades do III Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa, realizado em parceria pela Escola Superior de Guerra (ESG) e pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), nesta quinta, 23/07, participaram de um painel o General Manoel Luiz Narvaz Pafiadache, Chefe da Secretaria de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto (SEPESD) do Ministério da Defesa (MD), e o Professor-Doutor Gustavo Alberto Trompowsky Heck, docente da ESG.

A primeira apresentação, com o tema “A Geopolítica das Pandemias/Epidemias no Século XXI: seus reflexos na pesquisa e desenvolvimento e efeitos no comportamento humano” e proferida pelo Professor Heck, tratou sobre o contexto prévio ao surgimento da Covid-19 e as implicações desta para um novo paradigma social e econômico no mundo. O profissional destacou questões como os prováveis pilares de uma nova ordem mundial, com a polarização China x EUA, e a tecnologia como alvo estratégico em um conflito. “A nova guerra fria será no sistema de informação”, disse o professor.

Ainda no cenário pós-pandêmico, abordou alguns elementos de tensão e ruptura nas expressões políticas, econômicas, científico-tecnológicas, psicossociais e militares. Abordou também o comportamento humano e os novos hábitos, como uma maior integração em Pesquisa e Desenvolvimento entre as nações, o reconhecimento do ensino à distância como ferramenta estratégica para a educação e a ampliação do comércio eletrônico.

O professor Heck trouxe aos ouvintes uma perspectiva otimista para os próximos anos, ao citar o ex-ministro da Colômbia Mauricio Cardenas que elencou aspectos positivos, permanentes e não-permanentes, tais como o investimento realizado em saúde, o uso da tecnologia, o convívio familiar e as reduções dos índices de criminalidade e de emissão de CO2. “Pesquisas mostram que há um certo otimismo do mercado para uma expansão econômica nos próximos dois anos”, disse.

A questão da Amazônia também foi abordada na apresentação, e o Dr. Heck afirmou que ela é geopoliticamente de extrema importância para o Brasil, e não somente uma questão ambiental. “A nação que não traçar seu próprio rumo, o terá traçado por outra”, finalizou.

O chefe da SEPESD, General Pafiadache, centrou sua exposição nas ações desenvolvidas pelo Ministério da Defesa no Enfrentamento da Pandemia, abordando a estrutura do MD e as ações operacionais, logísticas e assistenciais executadas e aquelas ainda em planejamento. “Em 30 de janeiro o Brasil criou o Comitê de crise Covid-19, em 03 de fevereiro foi decretado Estado de Emergência e três dias depois foram aprovadas leis com medidas emergenciais”, disse o General ao apresentar a cronologia de resposta à ameaça que se apresentava à época.

Segundo o General, foi neste período inicial que o MD desenvolveu a primeira atividade mais forte, com a Operação ’Retorno à Pátria Amada’, que em trabalho conjunto com o Ministério das Relações Exteriores, possibilitou o resgate dos brasileiros que estavam em Wuhan. Também nesta época foram aprovadas portarias do Ministro da Defesa que asseguravam o emprego das Forças Armadas no contexto da epidemia bem como para a criação, em 20 de março, dos 10 Centros de Operação Conjuntas e de um Comando de Operações Aeroespaciais.

Entre as diversas ações tomadas pelo MD junto com as Forças Armadas nos primeiros meses, o General destacou a distribuição de kits de alimentação aos povos ribeirinhos na Amazônia e aos caminhoneiros nas principais rotas logísticas do país; apoio às crianças do Programa Forças no Esporte (Profesp) por meio da distribuição regular de cestas básicas e resgate dos brasileiros isolados em países estrangeiros.

Quanto às ações operacionais, logísticas e assistenciais, o militar elencou seis frentes de atuação e as respectivas atividades executadas e as planejadas até o final deste ano. A primeira foi o apoio imediato e reestruturação da rede hospital militar, com a compra centralizada de material, reparo dos respiradores, produção de itens de saúde e logística de pessoal e de equipamentos médicos. “Precisávamos treinar pessoal para substituir equipes de atendimento na UTI”, disse o chefe da SEPESD ao abordar o treinamento de 1098 profissionais de saúde, por meio de parceria do Ministério com o Hospital das Forças Armadas, o Hospital de Aeronáutica de Canoas e a Escola de Saúde do Exército.

Sobre a terceira frente, Pafiadache falou sobre o apoio de pessoal de saúde aos hospitais, como foi o caso em São Gabriel da Cachoeira, que atende a população indígena e precisou de reforço emergencial; do Hospital Universitário de Macapá, que recebeu 12 militares para complementar seu quadro e no Hospital de Campanha de Roraima, da Operação Acolhida, que passou a receber 20 profissionais a cada 15 dias. A quarta e quinta atuação do MD são relacionadas ao apoio de saúde em terras indígenas e em comunidades de vulnerabilidade. Neste caso, ações interministeriais foram cruciais, segundo o General, que destacou: “Estamos analisando o que está acontecendo no campo, atentos às prioridades conforme as curvas epidemiológicas das regiões”. Ele completa que há duas operações em áreas indígenas em curso e seis em planejamento para os meses que seguem.

Além de destacar as operações que tiveram grande repercussão internacional, como foi o caso da Missão Yanomami, mostrou os desafios logísticos que são enfrentados bem como a necessidade de controle rígido das equipes que compõe a ação. “So embarca quem estiver em plenas condições de sáude”, disse ao comentar sobre a obrigatoriedade do teste ‘RT-PCR’, quarentena e teste rápido no dia do embarque, a fim de evitar ser vetor de transmissão da doença às comunidades.

Para encerrar, o General Pafiadache disse: “O emprego das Forças Armadas é contínuo e ininterrupto, pois além das operações específicas, é mantida a nossa missão constitucional”, referindo-se à continuidade de operações como as em parceria com a ONU, nos países em conflito, e nacionalmente, com a ‘Acolhida’, ‘Verde Brasil’ e ‘Carro-Pipa’.

Como de costume, os participantes tiveram a oportunidade de realizar perguntas e tirar dúvidas com os palestrantes, sendo a videoconferência acompanhada pelo Subcomandante da Escola, Major Brigadeiro do Ar Leonidas de Araújo Medeiros Júnior, e pelo Diretor do Campus Rio da ESG, General de Brigada Marco Antonio Martin da Silva.

Sobre o evento

O III Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa conta com oito semanas de programação 100% on-line, debruçando-se sobre aspectos da Defesa, Infraestrutura, Desenvolvimento e perspectivas para o cenário pós-pandemia. Além de integrantes da FIESC e da ESG, o Ciclo também conta com a participação das Federações das Indústrias dos Estados da Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Tocantins e Minas Gerais.