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III Seminário Internacional ESG-WJPC aborda operações conjuntas

No dia 16 de setembro foi realizado o III Seminário Internacional, promovido pela Escola Superior de Guerra (ESG) em parceria com o William J. Perry Center (WJPC). Com o tema “Desafios à Capacidade Operacional Conjunta”, o evento contou com o apoio do Global Defense Reform Program, do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

O evento, realizado por videoconferência, foi acompanhado pelo Subcomandante da Escola Superior de Guerra, Major-Brigadeiro do Ar Leonidas de Araújo Medeiros Júnior, e pelo Reitor de Assuntos Acadêmicos do William J. Perry Center, Professor Doutor Scott Tollefson, e contou com a audiência de diversos oficiais generais, estagiários do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia, do Curso de Estado-Maior Conjunto, alunos do Mestrado em Segurança Internacional e Defesa, além de integrantes da ESG, convidados de instituições acadêmicas e do Ministério da Defesa. 

Ao abrir o Seminário, o Professor Doutor Luis Bittencourt, do WJPC, explicou o conceito ‘jointness’, que traz justamente o desafio constante em operações militares de operar de forma coordenada e eficiente forças com especialidades distintas e culturas próprias e particulares. Desde os persas, passando por Napoleão e chegando aos tempos atuais, o Professor demonstrou como a integração é decisiva em momentos históricos. “Algumas ideias são fáceis de serem percebidas, mas difíceis de serem implementadas. ‘Jointness’ não é apenas interoperabilidade, envolve a própria cultura das instituições”, frisou o Professor.

Após a contextualização do Professor Luis Bittencourt, o Diretor do William J. Perry Center, Tenente-General Frederick S. Rudesheim, falou sobre “A evolução do conceito de ‘jointness’ nas Forças Armadas dos EUA”. Desde a criação do Departamento de Defesa pela Lei de Segurança Nacional em 1947 começou a haver uma movimentação para que as Forças estivessem alinhadas. Mas foi em 1986, com a Lei Goldwater-Nichols que as mudanças necessárias tomaram forma. Com ela, os Comandos Combatentes ficaram subordinados ao Departamento de Defesa, os Comandos Geográficos Conjuntos foram criados e a formação dos futuros oficiais generais passou a incluir a perspectiva conjunta.

Para o General, operações conjuntas e interagências requerem uma atenção contínua e constante, para que não haja retrocessos. “As ações conjuntas e interagências têm que estar sempre em movimento. É absolutamente crucial estar neste caminho para operar com a efetividade necessária”, afirmou.

Por último, o Brigadeiro do Ar David Almeida Alcoforado, Vice-Diretor do Diretório de Estratégia, Políticas e Planos do Comando Sul dos EUA, realizou a apresentação “O ambiente de um Comando Conjunto: o caso do SouthCom". Ele explicou a estrutura e o funcionamento do Comando Sul, ressaltando o papel dos civis na instituição, e demonstrou como a operação em conjunto é importante até para a maior nação do mundo. “Processos complexos que acontecem entre as agências levam, por exemplo, ao mapeamento de rotas do narcotráfico, contrabando, tráfico de armas e pessoas. A complexidade das ameaças exige esforço multinacional em seu combate”, pontuou.

O Brigadeiro também ressaltou que uma pronta-reposta a catástrofes naturais, como o terremoto no Haiti, uma das maiores operações conjuntas entre Brasil e Estados Unidos, só é possível por existir uma continuidade nos exercícios, treinamentos e diálogos, criando uma doutrina compartilhada. No momento atual das relações Brasil-EUA, com governos alinhados, o acesso à indústria de defesa americana também vive boa fase, além de existir o compartilhamento de inteligência e exercícios e treinamentos especializados.


Este foi o 11º evento da parceria firmada entre ESG e WJPC. Desde junho de 2019, seminários, workshops e cursos foram realizados nos campi Rio e Brasília da Escola Superior de Guerra e no William J. Perry Center.